Síntese e regulação dos hormônios esteroides; um pouco sobre o metabolismo dos hormônios esteroides

A biossíntese de hormônios esteroides é dependente de colesterol, precursor desses hormônios. Sendo que o colesterol é adquirido na dieta, mas também é produzido pelo organismo através de reações que ocorrem no RE e na mitocôndria e que envolvem o agrupamento de AcetilCoA derivado daoxidação do piruvato e de ácidos graxos na mitocôndria. O colesterol é clivado na mitocôndria para formar Δ5-pregnenolona (a clivagem da cadeia lateral se vale do conjunto enzimático SCC, o qual tem sua concentração aumentada pelo ACTH). Pregnenolona é então convertida em progesterona através da ação de duas enzimas: 3β-ol desidrogenase e Δ4,5-isomerase. Para se chegar aos hormônios corticosteroides são necessárias outras enzimas especificas para cada hormônio. Para se obter aldosterona são necessárias 21-hidroxilase do reticulo endoplasmático (RE) e 11β-hidroxilase e 18-hidroxilase mitocondriais. Já para a síntese de cortisol nas células da zona fasciculada da glândula suprarrenal se requer: 17-hidroxilase e 21-hidroxilase do reticulo e 11β-hidroxilase mitocondrial. Sendo importante ressaltar que as enzimas hidroxilases do RE são enzimas citocromos P450 (CYP). Após a síntese os hormônios esteroides se difundem através da membrana plasmática atingindo a circulação, onde se ligarão a proteínas transportadoras.

Os hormônios esteroides tem metabolismo lento por se ligarem a proteínas presentes no plasma sanguíneo; o cortisol, por exemplo, se liga a transcortina sérica. Eles são metabolizados principalmente no fígado onde as reações levam tais compostos a terem sua atividade metabólica reduzida e sua solubilidade em água aumentada facilitando a excreção. São diversos os fatores que alteram o metabolismo dos esteroides no fígado. Ele é aumentado em pacientes com hipertireoidismo e diminuído em pacientes com hipotireoidismo (mau funcionamento da tireoide que está correlacionado a disfunção das adrenais, devido aos efeitos dos hormônios tireoideanos sobre as célular do cortex adrenal).

Mas isso não ocorre a esmo, a produção é regulada por participante de uma cascata e por sinais. O sistema de cascata hormonal amplifica sinais específicos, pois a medida que os processos vão se correlacionando as quantidades de hormônios crescem em níveis sucessivos, também devido a tendência de a meia-vida dos hormônios crescer conforme se avança na cascata, assim o hormônio fica mais tempo na corrente sanguínea. Esse processo de sinalização se inicia no cérebro e tem seu fim nas células alvo.

Observe um exemplo de cascata. Um estimulo ambiental resulta em um sinal para a estrutura hipocampal do sistema límbico e sinaliza liberação de um hormônio liberador hipotalâmico, hormônio liberador de corticotropina (CRH). Ao atingir a pituitária anterior e se ligar a membrana de células corticotrópicas ele gera uma resposta que leva a liberação de hormônio adrenocorticotropico (ACTH). O ACTH circula e então se liga a células do córtex adrenal, a glândula alvo. Após isso há a síntese de cortisol, hormônio que exercerá diversas atividades no organismo, mas que também irá retroalimentar negativamente a glândula pituitária e o hipotálamo. Sendo que dentro dessa cascata os tempos de meia-vida são crescentes na ordem: CRH, ACTH, cortisol.

Além dos fatores já citados a produção de hormônios esteroides também é regulada pela concentração de cAMP (relacionado a mobilização de colesterol para a mitocôndria) e pela proteína StAR (proteína regulatória esteroidogênica aguda) que facilita a translocação de colesterol da membrana mitocondrial externa para a interna. Há ainda regulação pela concentração de Ca2+, cujo aumento da concentração leva a ativação de enzimas colesterol desmolase e assim estimula a produção de aldosterona.

Referências bibliográficas:
- Lehninger principles of biochemistry; Cox,Michael; Nelson, David;fith edition; W.H. Freeman and Company, NY
- Manual de bioquímica com correlações clínicas; Devlin. Editora Blücher.
- http://ajpendo.physiology.org/content/274/2/E238.full.pdf+html

Por: Matheus Sampaio Tavares.

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